A Universidade Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP) conquistou nota máxima na avaliação de um projeto de pesquisa voltado à prevenção da violência entre adolescentes e jovens no ambiente escolar. A proposta foi aprovada no resultado preliminar da Chamada MCTI/CNPq nº 02/2026 – PROSUL Pepe Mujica, iniciativa que fomenta a cooperação científica, tecnológica e de inovação entre países da América Latina e do Caribe.
O projeto recebeu nota 10,00 e prevê recursos de R$ 320.797,38 para o desenvolvimento da pesquisa no Brasil e na Colômbia. A proposta é coordenada pela professora Dra. Lidiane Fatima Grützmann, com a participação da professora Dra. Marlene Zwierewicz, ambas vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em Educação Básica (PPGEB – mestrado e doutorado) da UNIARP.
A equipe também conta com a participação de pesquisadores colombianos: a Dra. Myriam Ortiz Padilla, coordenadora do Doutorado em Ciências da Educação da Universidad Simón Bolívar (UNISIMÓN); a Dra. Selene Ariza Ortiz, coordenadora da Cátedra UNESCO de Prevenção da Violência contra a Mulher, vinculada à UNISIMÓN; e Luis Oviedo Berrocal, egresso da mesma universidade.
Dos 2.319 projetos com mérito reconhecido em âmbito nacional, 378 foram aprovados. Na categoria em que a UNIARP concorreu, apenas 11 das 996 propostas avaliadas receberam nota máxima.
Em Santa Catarina, 13 projetos, vinculados à UFSC, à UNESC e à UNIARP, foram aprovados no resultado preliminar. O projeto da UNIARP está entre os três catarinenses que alcançaram nota máxima e é o único aprovado na região Meio-Oeste do estado.
Para a professora Marlene Zwierewicz, o projeto fortalece o compromisso do Programa de Pós-Graduação em Educação Básica (PPGEB) da UNIARP com a identificação de demandas da realidade educacional e a busca de soluções inovadoras e socialmente relevantes. A iniciativa também impulsiona a internacionalização do Programa, por meio da pesquisa conjunta entre Brasil e Colômbia, favorecendo o intercâmbio entre pesquisadores, a produção científica colaborativa e a ampliação da visibilidade internacional do PPGEB.
Pesquisa busca agir antes que a violência aconteça
A pesquisa busca compreender como ideias, discursos e comportamentos violentos podem ganhar espaço no cotidiano de adolescentes e jovens, identificando processos que antecedem situações mais graves de violência. “Quando falamos em violência, geralmente pensamos naquilo que já aconteceu: uma agressão, uma ameaça ou algum outro ato explícito. Mas a nossa pesquisa quer olhar justamente para o que acontece antes disso”, explica Lidiane Fatima Grützmann.
Nesse contexto, será desenvolvido o IPARV – Índice de Permeabilidade e Adesão a Repertórios Violentos, instrumento que buscará identificar e compreender sinais relacionados à circulação e à aceitação de repertórios violentos, bem como os fatores de proteção presentes nas relações entre adolescentes e jovens.
O índice será construído e validado ao longo da pesquisa, com a participação de especialistas e aplicação em escolas brasileiras e colombianas.
Lidiane ressalta que o objetivo não é rotular estudantes ou prever comportamentos individuais. “Não se trata de identificar estudantes potencialmente violentos, nem de prever quem vai cometer uma agressão. Trata-se de compreender as condições que favorecem a circulação e a aceitação desses repertórios e, ao mesmo tempo, reconhecer os fatores que ajudam a proteger os jovens”, destaca.
A pesquisa foi apresentada dia 23 de outubro, no VI Congresso Internacional de Educação e Saúde (CIEDUS).
Pesquisa fortalece a cooperação entre Brasil e Colômbia
Com duração prevista de 24 meses, entre 2026 e 2028, o estudo será desenvolvido em escolas do Meio-Oeste catarinense e da região do Caribe colombiano, especificamente no Departamento do Atlântico, na Colômbia. “São territórios com histórias e realidades diferentes, mas que nos permitem investigar como as escolas enfrentam os desafios da violência e constroem possibilidades de proteção para adolescentes e jovens”, afirma Lidiane.
Entre as atividades previstas estão intercâmbios de pesquisadores e estudantes, estudos de revisão documental e de escopo, publicações científicas internacionais, além da elaboração e validação do instrumento de pesquisa.
A cooperação entre os dois países permitirá ampliar a compreensão dos fatores associados à violência escolar em diferentes contextos socioculturais, favorecendo a produção conjunta de conhecimentos e o desenvolvimento de estratégias de prevenção.
UNIARP amplia sua atuação internacional
Para Lidiane Fatima Grützmann, o resultado também fortalece a presença da UNIARP e do Meio-Oeste catarinense em uma discussão científica de alcance internacional. “Estamos falando de uma universidade comunitária, situada no interior de Santa Catarina, produzindo conhecimento em parceria com pesquisadores colombianos sobre um problema que atravessa diferentes sociedades”, ressalta.
Segundo a professora, os avaliadores também destacaram o potencial do IPARV para aplicação futura em outros contextos escolares.
Os conhecimentos e dados produzidos poderão subsidiar ações de prevenção, práticas educativas e políticas educacionais voltadas à construção de ambientes escolares mais seguros e acolhedores. “Significa produzir conhecimento que possa ajudar diferentes instituições a agir de maneira articulada, antes que situações de violência se agravem”, afirma.
A aprovação no resultado preliminar também representa um avanço na trajetória de cooperação acadêmica e científica entre a UNIARP e a Universidad Simón Bolívar, parceria que já contempla a realização de eventos internacionais, intercâmbios acadêmicos, pesquisas colaborativas e publicações conjuntas.
Contribuição para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente ao ODS 4 – Educação de Qualidade e ao ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes, por seu compromisso com a prevenção da violência e a promoção de ambientes escolares mais seguros, inclusivos e acolhedores.
A pesquisa também dialoga com o ODS 10 – Redução das Desigualdades e o ODS 17 – Parcerias e Meios de Implementação, ao promover a cooperação científica internacional, a produção compartilhada de conhecimentos e o fortalecimento de ações educacionais voltadas à transformação social.











